Considerada a rainha da Música Preta Brasileira, Sandra de Sá tem sua Africanidade literalmente na veia. Neta de um Caboverdeano, assimilou o gingado e o ritmo dos seus ancestrais que com certeza muito a inspiraram; e como ela mesma costuma dizer, na sua família “quem não é músico, é musical”.

Seu pai era baterista e com a família formava bandas para tocar no carnaval. Ainda criança, eles a levavam aos clubes; enquanto eles tocavam, ela brincava com os primos e amigos. Mais tarde, o destino eram os bailes. Aprendeu sozinha a tocar violão e a partir daí ninguém mais a segurou. Começou a compor suas músicas e colocar pra fora, toda a sua criatividade, traduzida em conscientização social.

Sandra sempre participava de festivais pelo Rio de Janeiro levada pela amiga Faffy Sigueira. No último período da faculdade de psicologia conquistou o sucesso pra valer como cantora e compositora em 1980 quando participou do festival MPB 80 da Rede Globo. Sua música “Demônio Colorido” ficou entre as dez finalistas.

Sandra acumulou vários prêmios ao longo desses 32 anos de sucesso, traçando também sua carreira internacional. E assim foi traduzida por Nelson Motta: “…Sandra de Sá afina como uma das mais expressivas cantoras brasileiras do nosso tempo.”

O timbre e a potência de sua voz são inconfundíveis, únicos no Brasil. A originalidade e a personalidade, trazem na voz a assinatura “Sandra de Sá”.

O CD “AfricaNatividade” (Cheiro de Brasil), concorreu em 2010 ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro. Esse disco com músicas inéditas foi o primeiro produzido pela própria Sandra. Nos arranjos, ela reforça seus laços culturais e musicais entre o Brasil e a África.

Em 2001 já havia participado da edição Rio e em 2006 soltou a voz no Rock in Rio Lisboa. Em 2011, na volta do Rock in Rio ao Brasil, cantou ao lado de Bebel Gilberto, homenageando Cazuza; velhos amigos.

Sandra está como diretora da UBC (União Brasileira de Compositores) no resgate do respeito ao autor. Junto com outros artistas e produtores musicais lutou pela aprovação da “PEC da música” que objetiva a isenção tributária de fonogramas brasileiros. São muitas as idas à Brasília em prol da cultura brasileira.

O mais recente projeto da artista é o “Baculeju”, que teve início do cervejal que rolava de vez em quando com a sua banda, e despretensiosamente eram experimentados vários ritmos e vertentes. A ideia deu tão certo, que Sandra resolveu dividir com os amigos e com seu público esse momento mágico, levando para os palcos uma brincadeira gostosa; esse caldeirão musical. Nasce assim o “Baculeju da de Sá”, essa roda de groove.

O lançamento foi na Fundição Progresso no Rio e desde então já aconteceram 3 edições com as participações marcantes de Seu Jorge, Preta Gil, Serjão Lorosa, Buchecha, Alcione, Mc Marcinho, Tony Garrido, Emilio Santiago, Macau, Nelson Sargento entre outros.