Longe de mim a intenção de me passar como descobridor de talento, já que não foram poucas as minhas falsas previsões sobre o futuro de jovens em início de carreira. Mas não há como esconder que, desde que vi Dudu Nobre pela primeira vez, tocando cavaquinho e cantando no conjunto de Zeca Pagodinho, arrisquei um palpite: "Trata-se de um astro".

O acerto da previsão foi confirmado desde o primeiro CD, mas confesso que não imaginava que fosse tão longe como foi com esse "Roda de Samba Ao Vivo", à disposição de todos em CD e DVD. Asseguro que são dois lançamentos para entrar como destaque na história do samba não somente pela atuação do próprio Dudu, como também pela seleção de músicas de alguns dos maiores compositores do gênero de ontem e de hoje, pelas participações de Roberta Sá, Zeca Pagodinho, Nei Lopes, Martinho da Vila, Almir Guineto, pela escolha dos instrumentistas, pela alegria, pela empolgação e por tantas outras atrações colocadas à disposição dos felizardos que se deleitarão com o áudio e o vídeo.

Recebi com emoção a homenagem prestada a autores que já se foram e deixaram sambas que não morrerão nunca, graças a cantores como Dudu Nobre, sempre disposto a impedir que esses sambistas sejam esquecidos. A começar por Candeia, o grande compositor da velha Portela e que, além de produzir músicas imortais, promoveu uma verdadeira revolução no mundo do samba com a criação do Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo. Que bom foi Dudu lembrar-se de Monsueto, com o seu fantástico samba "Lamento da lavadeira", e do saudoso compositor salgueirense Geraldo Babão, que, no registro civil era Geraldo Soares de Carvalho, mas ninguém sabia disso. Sabíamos apenas que se tratava de um grande compositor.

O CD e o DVD "Roda de Samba Ao Vivo" são tão empolgantes que, mesmo de fora, nos sentiremos não apenas ouvintes ou espectadores, mas participantes. Foram reunidos sambas maravilhosos e apresentados de tal maneira, que, certamente, levarão a qualquer um de nós a cantar juntos. São sambas saborosos, mesmo para aqueles que os ouvirão pela primeira vez, mas que nos levam a aprendê-los imediatamente, letra e música. É que a seleção musical foi feita por Dudu Nobre, um sambista que está no ramo desde os cinco anos de idade, quando começou a tocar cavaquinho e, mais tarde, recorreu ao mestre Henrique Cazes para se aperfeiçoar no instrumento.

Além disso, Dudu é bem nascido e bem criado. Filho de pagodeiros e afilhado do grande baterista e cantor Wilson das Neves, ainda menino já participava das rodas de samba com os grandes nomes do gênero, cantores e compositores. Quando criança, desfilou na escola de samba mirim Alegria na Passarela, fez um samba com ninguém menos que Beto Sem Braço e, pouco depois, teve muitos sambas gravados por grandes intérpretes. O ano mal começou, mas adianto que já coloquei o CD e o DVD de Dudu Nobre "Roda de Samba Ao Vivo" entre os melhores lançamentos de 2008.