Sambista e talento de compositor. Aos 59 anos, tem dois CDs gravados com composições próprias (que estarão à venda durante o show), já se apresentou nas principais casas de samba do País e compôs uma série de sucessos que lhe permitem fazer um show inteiro cantando apenas suas músicas.

Os sambas de Bispo já foram cantados por grandes bambas brasileiros. São mais de 150 músicas gravadas por artistas de várias gerações, como Beth Carvalho ( "Coração Feliz" e "Falso Reinado"), Almir Guineto ("Conselho", "Chantagem" e "Mensagem") , Alcione ( "Chantagem"), Emílio Santiago ( "Inigualável Paixão"), Zeca Pagodinho ( "Pinta de Lord" e "Largo do Carioca"), Fundo de Quintal ("Amar é Bom", "Capa de Revista" e "Nosso Fogo"), Jovelina Pérola Negra ( "Falso Malandro" e "Confusão da Horta"), Dudu Nobre ("Coisa de Amante") e até o saudoso Mussum ( "Amor sem segredo").

O próximo DVD de Zeca Pagodinho, "No Quintal do Zeca", terá apenas uma música inédita. Todas as outras são regravações. A inédita é uma gravação de Zeca para " Em Um Outdoor", de Bispo e Zé Roberto, seu parceiro mais frequente.

"Essas gravações são motivo de muita alegria e um reconhecimento, mas de uma forma um pouco diferente, pois já passou a emoção do primeiro momento, já são 30 anos de carreira", diz.

Bispo diz que cresceu ouvindo Candeia, Cartola, Nelson Cavaquinho, entre outros mestres, e isso influenciou em seu estilo de compor.

"Tenho uma melodia mais rebuscada e uma letra que sempre conta uma história com princípio, meio e fim. Como eu vejo a música como produto, então a mensagem tem que ser uma mensagem positiva para a vida das pessoas", diz.

Formado em Administração de Empresas pela Faculdade Celso Lisboa (RJ), Bispo trabalha na Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública vinculada ao MCT e tem na música uma atividade paralela. Mas, para ele, é a atividade mais prazerosa.

Em seus shows, Bispo diz que normalmente canta suas próprias músicas. "Eu faço parte de um grupo seleto de compositores que tem repertório para cantar uma hora, uma hora e meia de músicas de sua própria autoria. Porque eu tive a felicidade de fazer muitos sucessos, então tem sucessos que eu canto e as pessoas vêm cantado junto comigo. Esporadicamente canto uma música de alguém que eu gosto, mas eu não tenho essa necessidade", diz.

E não vá falar para Bispo que o samba está em crise, agonizando, como diz o samba clássico de Nelson Sargento. "O samba nunca agonizou. Este produto chamado samba não tem na mídia o mesmo tratamento que outros produtos têm. Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, você só ouve samba nas rádios de madrugada. Acho que o samba é um ritmo tão forte que as pessoas na mídia inibem isso, porque se dessem ao samba a visibilidade que ele realmente merece, ele tomava esse mercado de assalto", diz. "O samba não vai morrer nunca", avisa.